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...O que era longe ficou perto...O que era intransponível foi superado...E o mundo ficou bem menor.
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Vidros Automotivos :
 

Os vidros, por não requererem muita manutenção, são talvez os itens mais negligenciados em nossas viaturas mas se você tem uma Band anterior a 1988 pode estar correndo um risco já que o vidro do pára-brisa até esse ano era temperado, veja no texto a seguir as características dos vidros e descubra qual risco é esse.

Função dos vidros: isolamento interno contra poeira, vento, chuva, isolamento térmico e acústico, proteção contra furtos e permitir visibilidade externa.
O vidro da Band, infelizmente, é encaixado na carroceria com uma borracha, nos veículos modernos o vidro é colado com adesivo à base de poliuretano (PU), com isso promove um reforço estrutural no veículo, que pode responder em mais de 10% da resistência do veículo no caso de impactos frontais ou capotamento.

Processo Float: Antigamente o vidro era assoprado, podem-se imaginar as dificuldades de criar uma superfície plana a partir de uma “bola” de vidro assoprada, então foi criado o processo “float” em que o vidro no seu estado líquido é despejado em uma espécie de piscina de estanho derretido, o vidro flutua no estanho e ao se resfriar fica com a forma totalmente plana, mesmo os vidros de pára-brisas que são côncavos, são feitos a partir de vidros planos e reaquecidos posteriormente. Tanto os vidros temperados como os laminados são obtidos a partir de vidros produzidos pelo processo float. O processo float inclui geralmente o recozimento do vidro que produz um vidro mais estável para ser cortado ou trabalhado.

Vidro comum: é o mesmo vidro utilizado numa janela de uma casa por exemplo, é conhecido por vidro “float”. O vidro comum tem muito boa resistência à tração mas baixa resistência a pressão direta, nesse caso o vidro se quebra de forma disforme produzindo cacos em diversos tamanhos e formas pontiagudas o que pode representar um grande risco dependendo de onde é utilizado, é o vidro mais barato e por isso é muito utilizado.

Vidro temperado: É obtido através da têmpera e retempera (aquecimento e reaquecimento contínuo) do vidro float, com esse termo-endurecimento o vidro passa a ter características desejáveis como: suportar grandes variações térmicas sem alterar suas características, possuir maior resistência mecânica e, ao se quebrar, não formar lascas pontiagudas.
Um vidro temperado dificilmente “lasca”, ao se quebrar ele se despedaça inteiro, geralmente em pequenos cubos (quem nunca viu um copo duralex se espatifar no chão?), também devido a essa característica não é possível recortar, furar, modelar ou trabalhar de alguma forma um vidro temperado sem que o mesmo se quebre no processo.
Temos como tipos de vidros temperados, copos, os pirex utilizados na cozinha, que podem ir ao forno sem problemas, os pára-brisas dos carros nacionais até 1988 e os demais vidros (laterais e traseiros) de todos os veículos em circulação.
Apesar de ser mais seguro que o float, o vidro temperado ainda oferece um grande risco quando utilizado nos pára-brisas já que por quebrar por inteiro pode fazer com que o rosto do motorista e ocupantes sejam “incrustados” com dezenas de pequenos cacos, que o motorista perca o controle do veículo ou trazer grandes transtornos se estiver chovendo por ex.
Nas Band são facilmente reconhecidos por serem incolores e possuem inscrito o termo “tempered” enquanto que os pára-brisas laminados são verdes ou possuem uma faixa mais escura (geralmente verde) na parte superior.
A partir de 1988,  o Contran implementou uma norma que obrigava que os pára-brisas de todos os veículos fabricados no Brasil deveriam sair de fábrica com vidros laminados em vez de vidros temperados.

Vidros laminados:  São os vidros que são utilizados atualmente em todos os pára-brisas dos veículos nacionais, são produzidos a partir de duas(ou mais) camadas de vidro tipo float intercaladas por uma película (lâmina)de polivinilbutiral (PVB), que é um tipo de plástico, geralmente de 0,38mm de espessura.
Durante o processo de fabricação, através de enorme calor e pressão em uma autoclave, o vidro se une firmemente ao PVB, com isso obtemos algumas características desejáveis como: o vidro laminado ganha enorme resistência mecânica, ele não se quebra, por estar “colado” no PVB ele permanece unido o que possibilita maior visibilidade do motorista em caso de danos ao vidro além de oferecer menor risco de fragmentos atingirem os ocupantes do veículo.
Secundariamente a lâmina de PVB também oferece isolamento acústico, também podem ser utilizados vidros e lâminas com características específicas visando por exemplo isolamento térmico ou proteção contra raios ultra-violetas.
Apesar de terem um custo mais alto a indústria automobilística nacional já tem estudos avançados visando substituir, em veículos novos, todos os vidros temperados (laterais e traseiros) por vidros laminados. visando maior segurança aos veículos, inclusive contra furtos.
Devido a essas características é altamente aconselhável substituir o pára-brisa temperado da Band por um laminado, o custo do vidro com a respectiva borracha gira em torno de R$ 120,00.

Manutenção dos vidros:
Os vidros apresentam baixíssima manutenção, no caso de pequenas trincas no pára-brisa o recomendado é realizar a recuperação do mesmo, que é feita retirando-se o ar e inserindo uma substância plástica, é importante que seja feito o mais rápido possível porque a trinca geralmente aumenta com o tempo e se acumular sugeira dentro da trinca é impossível dessa ser removida acabando por ficar uma marca evidente da recuperação.
Deve-se inspecionar as borrachas ao redor dos vidros regularmente pois podem, com o tempo, se deformar ou trincar permitindo que água entre em contato com a lata iniciando o processo de ferrugem no local.
Paletas do limpador de pára-brisa devem se substituídas quando apresentarem desgaste ou descolamento, duas passadas de uma paleta danificada podem riscar o vidro irreversivelmente.
Água do limpador: eu particularmente utilizo apenas água pura, tenho certo receio que produtos químicos como detergentes venham a reagir com as borrachas e pintura causando efeitos indesejáveis.

Películas de proteção (insulfilme):
Muito utilizadas em nosso país, tem por função principal o isolamento térmico, no Brasil, devido ao aumento da violência urbana, essas películas tem se tornado cada vez mais escuras (blackout) o que pode comprometer a visibilidade.
Mesmo o modelo mais simples agrega uma maior segurança aos vidros, a película plástica adere ao vidro e dependendo de sua espessura pode funcionar como uma “espécie” de vidro laminado. A legislação de trânsito determina níveis de transparência dessas películas mas mesmo se ultrapassando o limite “legal” a polícia não pode reter ou obrigar a retirada da película, no máximo informam que está ilegal e que é necessário regularizar a situação.

Numeração do chassis nos vidros:
Nos veículos a partir de 1990, apenas olhando para os vidros é possível identificar ano do modelo e fabricação pois vem gravado o número de série do chassis do veículo e este procedimento é universal.
Veja as letras e seus respectivos anos:
L - 1990
M - 1991
N - 1992
P - 1993
R - 1994
S - 1995
T - 1996
V - 1997
W - 1998
X - 1999
Y - 2000
1 - 2001
2 - 2002...
Exemplo: *YB656770* - ou seja, os asteriscos (*) são para que não haja inclusão ou alteração no início ou final da gravação; a primeira letra, o “Y”, é o ano do veículo, neste caso ano 2000; a segunda, o “B”, a planta onde foi produzido ou país, neste caso Brasil.
Observação: não são usadas as letras “O” e “Q” para não serem confundidas ou adulteradas para o número zero (0).
Nas Band antigas é comum o uso da letra O no início do chassis o que as vezes trás complicações adicionais ao se vender/transferir o veículo.

Artigo by ThE DoG